19 de abr. de 2010

Fanatismo Alternativo.


Pra mim: Uma normalidade musical - Tendencia.
Pra elas: Um sonho, uma realização, um querer tanto, o fanatismo.

Quando Luan Santana perguntou, já no começo do show, ontem em São Paulo:

“ Quem tá feliz levanta a mão?" 

Pelo menos umas 5 mil pessoas se manifestaram com entusiasmo de um Coliseu recepcionando um gladiador vitorioso, eu achei que era um bom momento para refletir:

“O que aquelas pessoas todas estavam fazendo lá?”

Domingo a tarde, dia de ficar em casa, assistindo o jogo e curtindo o #sweethome.

A primeira resposta é fácil. Todos me pareciam muito felizes, inclusive eu, estava mesmo muito feliz.
Estava participando, junto com milhares de fãs, de uma experiência única: a oportunidade de poder contar, para toda a eternidade, que presenciaram um show do cantor de maior sucesso da atualidade.

Mas isso é o que diria qualquer uma das garotas que estava usando aquela camiseta preta com escritas vermelhas – que serviu inclusive como um quase “passe livre” para que elas pudessem ter acesso ao camarim do cantor. Pois é, fiquei impressionada com a receptividade dele, atendeu aproximadamente 200 pessoas, com o mesmo sorriso da primeira até a última. Elas responderiam o mesmo, explodindo felicidade.

O que estava acontecendo ali era algo bem mais complexo que apenas felicidades: Era uma comunhão entre uma legião de seguidores e seu ídolo máximo – numa troca praticamente inexplicável e sem regras, um intercâmbio velado e honesto, de respeito mútuo e provavelmente infinito. Um pacto espontâneo de fidelidade, que deixa perplexo quem não faz parte dessa relação - eu por exemplo. Fiquei e Estou.

Onde eu me encaixo nisso? Bem, dizer que eu sou fã de Luan Santana seria esticar a definição do que é um fã (aliás, um dia ainda vou usar esse espaço para explicar exatamente porque eu tenho dificuldade em ser fã)Durante meses, meu contato com o cantor foi menos que periférico. Deixei o trabalho do cantor fora da amplitude do meu radar musical durante os meses anteriores, e vim inevitavelmente encontrá-lo agora, após ganhar um CD, presente de uma amiga muito especial. Fui pega de surpresa. Confesso.

Como eu – justo eu, que gosto de ter os ouvidos bem abertos – deixei escapar a metamorfose de Luan Santana? Descontando algumas músicas chatinhas demais (“pecados menores” de qualquer bom artista), fui praticamente obrigada a perceber que ele tinha se transformado numa usina de canções sertanejas incrivelmente poderosas.

Tenho certeza de que algumas pessoas vão parar de ler este texto e começar a me chamar de “mascarada”
Antes de alguém jogar a primeira pedra, porém, quero deixar claro, mais uma vez, que eu não tenho nenhum tipo de preconceito musical. Ou, melhor , já que estamos falando em preconceito, teste o seu: experimente cantar o refrão de “Meteoro da Paixão”, do próprio Luan Santana, " Te dei o Sol, Te dei o Mar pra ganhar seu coração.." Cantarolou baixinho na sua cabeça? Será que você teria menos obstáculos para gostar dele se essa música viesse cantada em inglês, por uma cantorazinha loirinha com sobrenome de uma cadeia internacional de hotéis? Bem, vamos continuar…

Não quero usar este espaço hoje para falar dos méritos musicais do Luan Santana –  Se você não gosta dele, vou falar ao vento. E se você é fã, nem precisa ouvir (mais uma vez) elogios. Só dei essa explicação para chegar então ao tal show, onde presenciei um dos mais emocionantes encontros entre ídolo e seus admiradores.

Quando escrevi lá em cima que tenho dificuldade em ser fã, não estava sendo esnobe com ninguém. Nesses 20 anos, várias foram as vezes em que presenciei o poder de um artista no palco. Por exemplo, quando o Lenny Krevitz se apresentou no Brasil – eu ali nas coxias daquele palco imenso, quase não acreditando no que estava vendo. Quando eu subi no palco do ultimo show da dupla Sandy e Junior, lá no mesmo Credicard Hall, quase não consegui acreditar que estava mesmo sendo eu. E mesmo recentemente, quando encarei um show do Jason Mraz senti toda a força que só o palco é capaz de provocar.

Dei exemplos variados, de artistas que gosto em diferentes escalas, só para reforçar que o que eu estava observando ali no show de ontem, não tinha nada a ver com a intensidade da minha admiração por ele. O que era bom de ver era o transe que tinha contagiado aquela multidão por quase duas horas – um transe do qual eu não fazia parte (afinal de contas, eu estava lá mais por querer da minha amiga que me fez ganhar os ingressos), mas que eu podia perfeitamente entender, e até me divertir com ele.

E se eu sentia isso, imagine o objeto de tanta adoração – o próprio Luan. Como, aliás, ele contou nao camarim, mais de uma vez ele ficou tão emocionado que era dificil se concentrar na apresentação. Os fãs, claro, não faziam isso de propósito, para “desvirtuar” a performance dele. Mas é que eles não poderiam reagir de outra maneira. Vou chutar a estatística, mas pelo que vi lá, 80% daquele público de fato nunca ouviria Sertanejo se o mesmo não fosse cantado por um quase galã de novela das oito – a enorme maioria da platéia tinha a mesma faixa etária dele /19 anos máximo. Mas o que importa o ritmo ou a idade?

O que contava para eles naquela noite era a verdade de uma longa relação apaixonada. E eu espero, de coração, que você saiba bem o que é isso, pois passar por essa vida sem ter tido um ídolo é deixar de aproveitar a fascinação que uma música, um filme – enfim, uma performance – pode exercer sobre você. Essa sim, é a vida besta…

E eu posso dizer que estou completamente apaixonada pela pessoa que tive a oportunidade de conhecer ontem, e é bem o que chamo de profissionalismo, e mais ainda, de realmente gostar do que faz. O Carinho, a gratidão, o cuidado, a atenção sem igual, tudo. Foram Detalhes que reparei e pude trazer comigo somente elogios, desde o hall de entrada até a saída do Camarim, T-U-D-O muito bem feito e produzido.

Agora, é só esperar até nosso próximo encontro, e espero que seja breve!

Boa Noite =)




14 de abr. de 2010

E se realmente gostarem? Se o toque do outro de repente for bom? Bom, a palavra é essa. Se o outro for bom para você. Se te der vontade de viver. Se o cheiro do suor do outro também for bom. Se todos os cheiros do corpo do outro forem bons. O pé, no fim do dia. A boca, de manhã cedo. Bons, normais, comuns. Coisa de gente. Cheiros íntimos, secretos. Ninguém mais saberia deles se não enfiasse o nariz lá dentro, a língua lá dentro, bem dentro, no fundo das carnes, no meio dos cheiros. E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor? Quando você chega no mais íntimo, no tão íntimo, mas tão íntimo que de repente a palavra nojo não tem mais sentido. Você também tem cheiros. As pessoas têm cheiros, é natural. Os animais cheiram uns aos outros. No rabo. O que é que você queria? Rendas brancas imaculadas?


Será que amor não começa quando nojo, higiene ou qualquer outra dessas palavrinhas, desculpe, você vaiir, qualquer uma dessas palavrinhas burguesas e cristãs não tiver mais nenhum sentido? Se tudo isso, se tocar no outro, se não só tolerar e aceitar a merda do outro, mas não dar importância a ela ou até gostar, porque de repente você até pode gostar, sem que isso seja necessariamente uma perversão, se tudo isso for o que chamam de amor. Amor no sentido de intimidade, de conhecimento muito, muito fundo. Da pobreza e também da nobreza do corpo do outro. Do teu próprio corpo que é igual, talvez tragicamente igual.

O amor só acontece quando uma pessoa aceita que também é bicho. Se amor for a coragem de ser bicho. Se amor for a coragem da própria merda. E depois, um instante mais tarde, isso nem sequer será coragem nenhuma, porque deixou de ter importância. O que vale é ter conhecido o corpo de outra pessoa tão intimamente como você só conhece o seu próprio corpo. Porque então você se ama também.

- Caio Fernando Abreu
Seu brilho silencia todo som.

Às vezes você anda por aí,
Brinca de se entregar
Sonha pra não dormir

E quase sempre eu penso em te deixar,
E é só você chegar pra eu me esquecer de mim

13 de abr. de 2010


Eu quero muito, aos baldes, sabe o quê? P-A-I-X-Ã-O.

Uma overdose de PAIXÃO. Paixão inundando o meu apartamento, paixão dentro da bolsa e em todo lugar que a minha visão for capaz de alcançar.Quero goteiras de desejo na cozinha,no banheiro e principalmente na sala. Quero alguém que me toque com suavidade e força.Alguém que me diga palavras românticas e que me pegue pela nuca dizendo o quanto esperou pelo momento de me ter nos seus braços. Quero um "eu te amo" baixinho,só pra mim,antes de eu ir pro trabalho. Quero romantismo e sacanagem compondo a mesma melodia,na mesma quantidade. Quero amassos dosados de palavras perdidas no meio dos nossos beijos,embaraçando nossa saliva. Quero enfrentar o caos dos meus dias sabendo que à noite vou ter uma boca pra beijar e dois braços fortes que vão me proteger da loucura do mundo. Quero todo tipo de beijo, toda espécie de carícias. Quero flores vermelhas em cima do sofá,quero um "não consigo viver sem você" escrito no pacote de pão,quero um "tô com saudades" vibrando no meu celular quando eu escolher um dia pra tentar ser infeliz.Quero declarações silenciosas,quero beijos que só os olhares conseguem dar. Quero ouvir a nossa música e lembrar dos nossos dias perfeitos. Quero você no meu quarto , na minha sala , do outro lado da minha linha , ocupando um dos lados da minha cama , forçando-me a ser feliz mesmo quando eu não quero. Quero você nu ou com roupa , feliz ou triste.Tanto faz,você que decide como fica. Quero sua presença em todas as partes da minha vida. E no dia que eu te conhecer não serão necessárias palavras, pois eu sei que a gente vai se reconhecer. Ou Já nos conhecemos?

Acheeeei tudo um grande porre. Um grandessíssimo porre. De vez em quando, no meio do porre, a gente arruma alguém pra fazer uma coceguinha no coração. Mas aí, depois da coceguinha, a vida volta ainda mais tosca. E tudo volta um porre ainda maior. E ontem, depois de tudo, eu percebi que assim como misturar bebidas, misturar pessoas também causa uma ressaca danada.