
Crescer é utilizar melhor o tempo que resta. Cansei de amores de meia página. Amizades com meia dúzia de letras não me satisfazem mais. Com o passar do tempo, a gente quer sossego e tranquilidade que rodopia. Alguém que nos acolha, que nos traga um sorriso gratuito, que dê um abraço que deixa sem ar, que o abraço sem ar seja mudo e que tenha a seguinte legenda "olha, eu estou aqui bem aqui pertinho de você, não fica com medo não". O que a gente quer é se esconder do medo, nem sempre encarar é sinal de maturidade. Muitas vezes fazer um gesto pra lá de obsceno é bem mais maduro, atitude adulta, sabe como é? Foda-se. Às vezes é assim, foda-se mesmo, paciência, babaus, azar do Valdemar. A gente tem que saber bem o que fazer com as horas, o tempo vai passando, anda de ônibus, bicicleta, avião, navio. O tempo viaja, leva muita roupa, paga excesso de bagagem, fica com dor nos pés de tanto andar e perambular feito um mulambento por aí. O tempo fica deprimido, toma Valium e passa cinco dias atirado no sofá sem tomar banho, ganhando um cheiro ruim e um aspecto de acabado.
Crescer é aceitar que os defeitos são peças indispensáveis no guarda-roupa e, felizmente, nunca saem de moda. Entenda que eu tenho, você tem, o mundo inteiro tem. E a Heidi Klum também, ainda bem. Crescer é compreender que um dia, inevitavelmente, você cresce. Não adianta não querer, se esquivar ou correr. Quando você não tem armas suficientes para combater alguém, guarde a pistola ou a espada. Bandeira branca. Mãos livres. Paz. Crescer é aceitar apenas. Crescer é perceber que mesmo depois de bem crescido você ainda pode dormir abraçado num bicho de pelúcia. Crescer é um belo dia acordar com uma marca de carimbo na testa escrito "cresci". E agora?
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