25 de abr. de 2009



Chega uma hora que cansa ser chamada sempre das mesmas coisas. Sejam elas boas ou ruins. Sempre fui rotulada de mimada, manhosa, birrenta, metida, blasê, louca, amiga, menina de ouro, animada, inteligente, ingênua, meticulosa, e mais um monte de coisa. O problema é que, vira e mexe eu sou chamada da mesma coisa, isso enche o saco! Eu precisava ser chamada de algo novo. Eu preciso de novidade a todo instante, caso contrário eu posso pirar. Resolvi fazer coisas ridículas, perder a noção do ridículo, ninguém nunca havia me apadrinhado de ridícula. Sai as seis da manhã caminho do Ibirapuera, jurando voltar somente duas horas depois, no mínimo. Meu primeiro ato ridículo, foi colocar meu MP3 no último e cantar alto, bem alto, muito alto, como eu canto no chuveiro de casa, que meus vizinhos dos seis andares acima, e dos seis andares abaixo escutam. Isso me deu um gás excelente, por mais que pareça impossível alternei corrida e caminhada por três horas e nem me dei conta.
Drummond disse uma vez, que “no meio do caminho tinha uma pedra, que tinha uma pedra no meio do caminho”. Pois é, no meio do meu caminho tinha uma louca vestida de vermelho gritando: “SAI, SAI, SAI, SAI!”. Fiquei na duvida se ela estava falando comigo, ou fazendo um áudio-curso de como exorcizar um demônio em 10 passos. Mas eu não ia arrumar encrenca, resolvi fazer uma careta e fiquei rindo por longos minutos, racionalizando um mantra torcendo pra louca cair e machucar o queixo, mulher tem dessas coisas. Sai do parque á caminho de casa, acompanhando a Madonna no vocal e dando bom dia para todos que eu visse na rua, eu disse TODOS. Algumas pessoas me responderam assustadas, outras surpresas e felizes, algumas nem “thum”, e outras com um olhar de “eu te conheço”? Mas houve uma pessoa que realmente me chamou a atenção! Não, não era um bonitão engravatado, charmoso, cheiroso com cara de homem. Foi uma senhora gorda, mal cuidada, mal vestida, que concerteza era mal amada também. Eu passei por ela e dei um super BOM DIA, com “o” sorriso no rosto. E ela grosseiramente me respondeu da seguinte forma: “vai tomar no seu C*, sua filha da put*” Eu saí correndo de vergonha, por dela, é claro. Tudo bem que quem resolveu ser ridícula por um dia fui eu, mas não precisava apelar; um “vai procurar sua turma, sua louca varrida”, eu até toleraria. Já me sentindo ridícula o bastante, porém não o necessário, em vez de ir direto a SkinMax, resolvi dar uma de sonsa e errar o caminho, passando por aquela alameda cinco quadras abaixo da Paulista. Essa atitude me leva a ser indicada ao prêmio de ridícula do ano, eu sei disso, ok? Não precisa jogar na minha cara, mas a intenção era ser ridícula, não era? Entretanto, o mais ridículo ainda, como se fosse possível, foi não passar na frente daquele prédio, o qual eu sempre ia tomar um pseudo-café da manhã,que sempre começava e terminava num mesmo lugar da casa. Me encaminhei até a “Starbucks”, tomei aquela água famosa de oito reais, e comi um pão de queijo thuthado no mel. Dentro do estabelecimento só tinha gringo, eu estou em São Paulo, não estou em Nova Iorque, dá pra falar português? Aquele clima de gringolândia realmente me irritou, resolvi sentar no mezanino lá fora e ouvir um pouco de português, o que é realmente gostoso, pena que só sabe disso quem já passou um bom tempo sem ouvi-lo. Lá fora só tinha barulho de transito e gente falando português, o que atrapalhava a musica ambiente, que era em francês, que eu queria conseguir entender. Fui para dentro do café de novo. Quando me acomodei em um lugar, que eu não escutaria nem inglês, nem português, a música acabou, resolvi ir embora. Continuei fazendo tudo que eu desejava, e que considerava ridículo. Fui ao cinema sozinha.Atendi minha melhor amiga ao telefone não com um “alô”, mas com um “eu te amo”, falei pra minha irmã que sentia saudades, e tive coragem de dizer que não iria a uma festa simplesmente por aparências, que não adiantava me cobrar um carinho que nunca fora depositado. Fui uma ridícula com êxito. E isso me deixou feliz, me deixou orgulhosa. Até quando vamos ficar nos policiando, policiando nossas atitudes, nossas palavras, nossas posturas? Dar um bom dia sincero a um desconhecido faz bem pra você, e para ele também. Dizer que você ama, a quem você ama é muito bom, sabia? E admitir que sente saudades também. Demonstre não ter uma pedra no lugar do coração. Nós humanos globalizados e capitalistas somos babacas ao cubo. Ficamos ligados nesse lance de status, de grana, de aparência, de sociedade, de exterior. Não me chame de hipócrita caso você conheça algum cara que eu já me relacionei, eu sei melhor que você que eles possuem exatamente tudo que eu citei acima. Eu concordo com o nosso poeta de “que me desculpem as feias, mas beleza é fundamental”, mas o belo não é só o que está por cima, o que está por baixo também. O que está por baixo das máscaras que usamos todos os dias, o que está por baixo da roupa, o que está por baixo da pele, o que está por baixo de qualquer coisa que possamos apalpar ou visualizar.
Ressaltar todas essas coisas seriam ridículas, né? Hoje é considerado ridículo sofrer por alguém, ligar chorando, se emocionar com uma despedida, perder o sono porque a saudade não te deixa descasar. Mas eu sei a lista top três que vocês consideram ridículo. Com a medalha de bronze vos apresento o “necessitar alguém para dividir a vida”. A medalha de prata fica para as “pessoas que abrem mão da carreira profissional por um tempo, para se dedicar à família”. E a tão esperada, medalha de ouro vai para... Tham, tham, tham... Para ele! “O perdão” ! Admitir que errou e pedir uma segunda chance. Eu sei que se opinião fosse boa agente vendia. Então caso você faça o que eu vou te dizer, por favor me mande um e-mail, que eu o retornarei com os meus dados bancários para depósito. O valor fica a seu critério, o quanto você achar que vale a minha opinião, que ponho a venda agora.
Seja ridículo, perca o senso do ridículo, deixe-se ser chamado de ridículo. E nesse dia, por favor, cruze o meu caminho.

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