Eu não sou (quase) fresca. Cheia de manias, regras, esquisitices.
Não gosto de barulho, sujeira, calor demais, sentir fome, sentir sono, sentir dor, preencher formulários, atender telefone, resolver problemas idiotas e conhecer pessoas idiotas. Eu odeio quando o garçom vem com o dedão dentro do prato de comida. Eu não deixo ninguém guardar minhas roupas no armário. Eu bocejo pra papo furado. Eu não como a cada três horas esteja o mundo acabando ou não. Pago tudo mais caro, para ter o melhor. Quero sempre o melhor pra mim. Sim, eu sei. Você está balançando a cabeça. ( e pensando que isso é fresquice das bravas). Quero lençol branquinho, limpinho. Amigos interessantes, músicas e filmes que me façam entrar em contato com aquela coisa estranha que a gente carrega no peito. A vida inteira ouvi “ah, a Fê não é fresca , mas vai criar caso”. Fosse o assunto pegar um busão, ir a um programa brega, viajar apertado num carro pra depois ficar apertado numa casa de praia sem lençóis branquinhos ou comer uma pizza em um lugar gorduroso. Sempre topo essas coisas, pois sei que, pra mim, por qualquer pôr-do-sol do mundo eu aturo gente mala. E sempre me perguntei se eu não mudaria com o tempo. Sempre temi que esse dia chegasse e levasse de mim tanta liberdade. E eu não poderia ser amiga de todo mundo, dormir sem tomar banho, rir de qualquer besteira, comer em qualquer lugar, dormir sem problemas. O dia em que eu me prenderia a tantas exigências do mundo. E não relaxaria. E não seria feliz em qualquer lugar, com qualquer pessoa. Não feliz. Será que eu sou feliz?.
Nada feito. Tô cada dia mais cheia de manias, liberdade, regras, e esquisitices.
Cada dia com mais pânico de lugar cheio de gente, cada dia mais sensível para barulhos, sujeiras, burrices e cheiros. Cada dia com mais birra de comida ruim e mau atendimento. Cada dia com mais bode de gente que não tem nada a dizer. Mas apesar de tudo sempre levo comigo a sensação de que não importa onde, importa com quem.
Quanto aos caras com quem me relaciono?!
Com a idade, acabei criando, pra piorar minha situação, tantas regras para um cara valer a pena que reduzi consideravelmente as minhas chances de gostar de alguém. Que homem, hoje em dia, vale mais a pena que os meus perfumes importados? Difícil. Eu sei, vocês estão balançando a cabeça, renegando a minha existência. Que menina fresca! Sou mesmo. E quer saber? Dane-se. Não vou mudar. Até abri algumas exceções na vida (até para ter certeza de que não gosto mesmo de ser fresca). Eu infelizmente não aprendi a ser mais light com o tempo, mas aprendi a melhor coisa do mundo: me assumir. Sou eu quem paga por todas as minhas frescuras. Eu conquistei, sozinha, uma vida boa, feliz, de acordo com todas as minhas manias. Sou insuportável sim, mas sou eu. E com muito orgulho.

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