
Já falei qualquer dia e quaisquer inúmeras vezes que gente descolada me dá coceira. E dá mesmo. Estava eu lendo a Veja, pois nem só de Contigo, Nova e Marie Claire vive uma mulher e fiquei pasma com a Pitty. A Pitty, roqueira tatuada e, descoberta minha, descoladérrima. Não basta ela querer equalizar você numa frequência, sem trema, que só a gente sabe. Pra ela não é suficiente te transformar em uma canção e acredite: ela gosta mesmo de você bem do jeito que você é. Dona Pitty tatuada e roqueira e palavruda disse a seguinte frase (tá lá, eu não minto, abre a revista e Veja com os seus próprios olhos azuis, verdes ou cor de vila como os meus): "Meu grilo não é o meu parceiro sentir desejo por outra pessoa. É o fato de eu não saber. Eu quero me sentir incluída. A mina é massa? É gostosa? Me leva junto!". Agora interrompe a leitura do texto e volta pro grilo. Grilo, pra mim, só o falante. Eu detesto barulho de grilos. Abomino gente que me chama de "cara". Se for mulher, pior. Soa algo nenhum-pouco-nada-de-nada-feminino. E eu sou bem mulherzinha, apesar dos pesares. Porque eu adoro sentar no chão, falar palavrão, beber que nem garotão (pra rimar com chão e palavrão) e dar arrotão. Já fiz muito campeonato de arroto nesta vida, senhor. E você já sabe do blá blá blá: mato barata na boa, troco lâmpada na boa, não faço fiasco à toa. Mas, tudo tem um "mas", tenho medo de trovão, não lavo louça no dia em que faço a unha e fico nervosa quando alguma calça fica apertada. Tudo isso você sabe, vamos então ao que você desconhece.
Fico muito brava e sou invocada. E eu mudo o tempo todo. Coisas simples me deixam furiosa, coisas bobas me fazem feliz. E eu fico muito feliz e triste também. E de vez em quando é tudo ao mesmo tempo e eu nem sei direito como a coisa toda surge e alterna e me deixa meio desgovernada, feito avião sem piloto, apertem os cintos, a Fernanda acordou com o pâncreas invertido. Acontece, acontece raro, acontece muito. Não pense que sou bipolar ou qualquer coisa similar. Já fui naqueles médicos que tratam da mente, da gente, aqueles que a gente sai meio dormente. Normal, você é normal. O humor oscila, mas é dentro da normalidade. Doses altas de ansiedade e traços de hiperatividade, fique sossegada, não é o caso tarja preta. Já tomei florais, fizeram um bem danado. Sei lá se é de verdade ou de mentira ou é psicológico, o que sei é que eu sou mulher e tudo que me dizem que funciona eu vou lá e testo. O máximo que vai acontecer é eu ficar mais pobre e falar mal do produto-remédio-qualquer-coisa pra todo mundo. Eu falo muito e rápido e troco de assunto como puta troca de cliente. E eu sou ciumenta, tenho ciúme das minhas coisas. E eu sou possessiva, muitas coisas são minhas. Amigos, família, objetos, cachorro, quadros, livros, namorado. Tudo m-e-u. Ser assim dói vezenquando. Vezenquando dói ser assim. A gente leva, tenta contornar, faz força pra não pensar, mas dói. Dói doído. Dói sofrido. E depois passa, a dor vai sumindo que nem estrela que vai se apagando. No lugar dela, nova estrela. Assim eu vou, eu vou, pro assunto agora eu vou.
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