25 de fev. de 2009




Desculpa te desiludir, minha amiga, mas o seu marido-namorido-noivo-noivorido-namorado-ficante-rolo-casinho tem uma coleção de revista de mulher pelada, tipo Playboy, Sexy e outras bem mais baixinhas. Os homens têm grupos de putaria via e-mail, eles têm uma lista dos que recebem a Putaria do Dia. Não pense que é coisa leve e suave: mulheres peladas beijando e chupando e se esfregando em outras mulheres igualmente peladas, casais transando de todos os jeitos possíveis, gente gemendo, gritando, berrando. Fotos, vídeos, fotos e vídeos. Ao serem questionados, respondem: putaria é entretenimento, mais nada. Uhum, sei. Ainda existe o Sensual Light, que são aqueles sites com as gostosas de biquíni, lingerie, coisa light porque, segundo eles, o máximo que aparece é um peitinho ou uma bundinha. Depois, quando deitam a cabeça no travesseiro, imaginam a Tesuda da Capa e aí, só Deus sabe. Existem, também, os filmes, que eles assistem e fazem sabe-se lá o quê. Eles, adolescentes de quinze anos, se masturbam vendo mulher de calcinha e sutiã. Eles, os homens feitos, fazem exatamente a mesma coisa. Talvez eles não cresçam nunca (ou sim, a gente sabe quando). É bom conhecer o próprio corpo e descobrir o que dá prazer, sabemos que sim. Minha ginecologista dizia que é saudável "explorar o corpo". Em outras palavras: é importante homens baterem punheta e mulheres siririca. Mas nós não crescemos com pilhas de revistas de homens com o Mr. P marcando presença. Sei que os universos são distintos. O universo pornô é, fatalmente, masculino, tudo é destinado aos homens. Só não me peçam pra achar natural, pois eu não sinto o menor tesão vendo um homem - que não seja o meu - pelado ou de cueca. Sim, eu sei que as coisas são diferentes. Não gosto da desculpa todo-homem-é-assim, pois se são mesmo todos assim a qualquer momento eu e todas as mulheres comprometidas com os seus podem levar um belo par de chifres. Diz a lenda que homem trai, certo? Chega uma hora, um tempo, um segundo, que o tal instinto fala mais alto e eles precisam comer uma bruschetta em outro restaurante.

O pior são as mulheres machistas. Certa ocasião uma amiga disse que não tinha ciúme de mulheres de revistas, essas que se pelam ou ficam em trajes quase inexistentes por uma graninha razoável. Ela falou que tinha ciúme da mulherada "real", aquelas que o namorado podia "pegar". Só que ela não se deu conta que o namorado pode estar bem ao lado dela, pegando-a inclusive, e com a cabeça em alguma mulherona. Adianta? As pessoas têm que estar por inteiro, é o que penso. Não é querer coordenar pensamento, pensamento e imaginação são livres, leves e soltos. Mas até lá tem que haver respeito, senão nada feito. Bom, sempre gostei de ver o lado mais fotogênico da vida, prefiro continuar na ingenuidade. E já que eles dizem que ver mulher pelada (para os homens) tem o mesmo significado da fofoca (para as mulheres), tudo bem, eu me rendo. Eles alegam que são visuais, que é tudo insignificante, passageiro, prazeres momentâneos, apenas um prazer estético. Tudo bem, por enquanto a gente finge que acredita. E ainda aproveita pra fazer uma fofoquinha básica. Deles, é claro.

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