25 de fev. de 2009




Não adianta, não entendo. Já me esforcei para compreender significantes e significados, a diferença entre ser e estar, patati patatá. Na teoria, como sempre, tudo pode ter uma explicação, mas nem todas podem ser classificadas no grupo Aceitáveis e/ou Entendíveis. Que homens e mulheres têm comportamentos e encaram a vida de formas diferentes nós sabemos (será mesmo?). O problema é que não adianta, não entendo.

Outro dia um amigo chegou em tom confidencial "estou pensando em procurar outra mulher". Observe: quando ele diz outra é porque já tem uma. O enrosco já começa aí. Ele vai além quando confessa "eu gosto de putaria, ela não, só que eu gosto muito dela, quero ficar junto". Minha primeira reação foi de espanto, minha segunda reação foi igual a primeira e depois de gastar o Estoque Espantoso, respirei fundo e perguntei como pode alguém gostar de uma pessoa e co gi tar traí-la, minha gente? Eu gosto de rosa e meu namorado de verde e só porque eu gosto de rosa e ele de verde não vou simplesmente deixar de conversar sobre cores com ele. A gente pode desfilar na Mangueira e fica tudo certo. Se você gosta de alguém você respeita, acima de tudo, essa pessoa. Para mim é isso, bem simples, sem firulas e o resto nem me interessa discutir. Tentei conversar com ele, sugeri que ele fosse franco com a namorada, afinal, cada um tem um ritmo, preferência, jeito, gosto. Tudo é conversável e ajeitável, basta querer. E descobri: as pessoas gostam de caminhos fáceis. No caso dele o caminho fácil é chamar uma profissional do sexo ou encontrar uma aspirante ao meretrício nas baladas da vida. Ninguém troca telefone ou, pensando bem, se for boa a coisa pode rolar a troca sim, vá que ambos queiram um repeteco? Depois, lavou tá novo, volta para os braços de quem gosta. Bico calado evita sofrimento desnecessário ou, o medo dos medos, um grande pé com unhas feitas no traseiro.

Ele ainda tentou me explicar que nem adiantaria conversar com a namorada, pois "tem coisa que ela não topa". Então tá. Penso claro: se ela não topa, se ele está insatisfeito, que separe. Se ele gosta mesmo, que respeite, que cheguem num acordo limpo. Só não venha tentar me convencer que comer em outra freguesia é a solução. Dia desses, de boca aberta, ouvi um comentário - masculino, evidente - que me deixou pensativa: "eu olho mesmo, melhor só olhar do que fazer!". Ah, é assim? Mulher tem que agradecer quando homem não faz nada? Mulher tem que achar bacana o indivíduo só olhar? A gente tem que ficar de joelhos e rezar uma Ave Maria porque a homarada só olha, não encosta? Fico boba com esse machismo decadente! Não tem que olhar, muito menos fazer. Se é pra ficar olhando pra qualquer sirigaita na rua é melhor ficar solteiro então, é o que eu penso. Eu não olho para outros homens na rua, confesso. Não tenho interesse, de verdade. Mas os homens, ah, os homens são os homens, tá no sangue, é cultural, todo homem faz. Revoltante.

Nenhum comentário: